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Por
que a empresa multinacional Bunge Alimentos está serrando e queimando
os cerrados indefesos do Sul dos Estados do Piauí e Maranhão
? Este fato representa uma situação de alerta urgente
para o povo piauiense e para os governos dos níveis federal,
estadual e municipal sobre a terrível agressão que empresa
Bunge promove. É uma transnacional de procedência holandesa
hoje sediada em White Plains, nos Estados Unidos. Tem um faturamento
anual de 20 bilhões de dólares. No Brasil, no ano de 2001
consolidou um faturamento de 10 bilhões de reais. Essa multinacional
já destruiu vários cerrados do Brasil, criou vários
desertos pelo mundo e agora começa a destruir os cerrado do Piauí.
Os cerrados do Piauí / Maranhão está catalogado
desde 1999 para conservação da biodiversidade brasileira
como área N.º 113, que é a área do planalto
Mirador-Uruçui conforme determinação do IBAMA.
Só o fato de ser uma área para estudo da biodiversidade
nacional já merece ficar intocável, por qualquer tipo
de ação predadora. É gravíssima a invasão
dessa área pela Bunge com o aval do atual governo do Estado do
Piauí e do IBAMA. A omissão das autoridades piauienses
no que diz respeito a esta ação causa estranheza ao conjunto
de toda a sociedade. É também evidente a falta de respeito
e conhecimento por parte das autoridades políticas no que tange
os estudos e pesquisas já elaboradas por cientistas sobre a biodiversidade
dos cerrados do Piauí e do Maranhão.
A implantação da Bunge no sul do Estado do Piauí
ocorreu de forma abrupta e sem nenhuma discussão com a sociedade
civil. No entanto seria bastante oportuno que primeiro se observasse
de perto o estrago brutal que essa multinacional já deixou por
onde passou. A Bunge só concentra renda e expatria capital. Expandiu
o desemprego na área rural e aumentou a prostituição
e o consumo de drogas nos municípios onde ela se instalou. Esgotou
os pobres solos dos cerrados; acabou com a diversidade da flora e da
fauna dos cerrados.
Veja alguns exemplos de espécies da flora dos cerrados, muitas
delas quase em extinção: Ameixa braba, araçá,
araticum ou bruto do cerrado, babaçu, bacaba, bacuri, barbatimão,
buriti, biritirana, baru, cajá, caju, cajuí, fava d’anta,
grão-de-galo, guabiraba, algaroba, ingá, inharé,
jatobá da mata, jatobá do cerrado ou jatobá de
vaqueiro, macambira, mama cachorro, mangaba, maria preta, marmelada,
massaranduba ou pitomba de leite, mirindiba, murici, oi-de-boi ou olho
de boi, piaçaba, pequi, puçá, tucum, taturubá.
As plantas medicinais dos cerrados são de grande valor para o
povo em decorrência das suas características terapêuticas.
Lembremos aqui algumas dessas plantas por serem muito abundantes e muito
utilizadas pelo povo até os dias de hoje: açoita cavalo,
alecrim, alfavaca, canapu ou canapum, catinga de porco, folha larga,
jaborandi, jucá, jurubeba, imbaúba, mangiricão,
mastruço ou mastruz ou menstruz, mororó, quebra pedra,
sabugueiro, sambaíba, sucupira, pau d’óleo ou copaíba
ou podói.
Os cerrados são paraísos ecológicos de preciosas
madeiras de lei, como por exemplo: amargoso, angico, aroeira, candeia,
catinga branca, gonçalave, jatobá, peroba, taipoca, pau
d’arco ou ipê roxo e branco, mulungu, sapucarana, sucupira
e tamboril.
Toda esta diversidade dos cerrados ainda não foi estudada de
forma sufucientemente adequada. Daí a grande preocupação
com este bioma que representa a AMAZONIA para o nordeste e que está
sendo destruído de forma brutal e descomprometida pela Bunge
e seus aliados. Esta representa uma das razões fortes para que
nos preocupemos com essa destruição avassaladora dos cerrados
do Piauí.
Autor: Doutor em História pela Universidade de Paris III (Sorbone).
Professror da Universidade Federal do Piauí –UFPI/CCHL/DGH.
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