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George Andrade
O significado maior da resolução da justiça
federal para o uso dos cerrados piauienses nada mais é que um
aviso: USEM OS CERRADOS, MAS USEM BEM, NUNCA COM O PROPÓSITO
DA SUA ANIQUILAÇÃO PURA E SIMPLES, OU DA GRILAGEM, OU
DO DESVIO DE FINALIDADE SOCIAL DA PROPRIEDADE DA TERRA, OU COMO INCENTIVO
À CONCENTRAÇÃO DE RENDA E OU DESPATRIAÇÃO
DE CAPITAL E TRABALHO, OU DA PERPETUAÇÃO DA EXCLUSÃO
SOCIAL QUE SEMPRE SE PROMOVEU NA REGIÃO.
A falta de gestão ambiental conseqüente e responsável
no âmbito do Estado do Piauí é o que mais tem contribuído
para os problemas ambientais já diagnosticados nos cerrados.
O descaso governamental para o setor é que motiva o uso inadequado
e irresponsável dos cerrados. CHEGA DE FALÁCIAS, DE MENTIRAS.
O governo tem um papel a cumprir e nós o exigimos.
UMA EXPLORAÇÃO DOS CERRADOS DESREGRADA E SEM FRUTOS PARA
A POPULAÇÃO, PARA O ESTADO E PAÍS, ONDE MEIA DÚZIA
SE LOCUPLETAM DE TODAS AS BENESSES NÃO PODE CONTINUAR ACONTECENDO...
QUE DESENVOLVIMENTO TROUXERAM? QUE INICIATIVAS SÉRIAS PROMOVERAM
PARA A PROTEÇÃO E SUSTENTAÇÃO DOS CERRADOS
QUE EXPLORAM? DESTRUIÇÃO E SAQUE AOS CERRADOS É
O QUE EFETIVAMENTE ATÉ AGORA FIZERAM.
O cerrado piauiense é único no Brasil, é primitivo,
ocupa larga extensão entre a caatinga e a pré-amazônia
maranhense constituindo ambiente ecotonal de valor biológico
inestimável que, como nunca, precisa ser preservado. O interesse
daqueles que ora exploram os cerrados não deve ser “sojicida”
(monocultor, desagregador, aniquilador). A biodiversidade dos cerrados
é mais importante que soja. Unidades de Conservação,
Parques Estaduais, Estações Ecológicas, Reservas
Biológicas e Extrativistas devem ser criadas e implantadas para
a conservação e preservação da biodiversidade.
Rios, cursos d´água, mata ciliar e nascentes devem ser
preservados. Preservar o rio Parnaíba é mais que soja.
Projetos de convivência com os cerrados com base em estudos histórico-antropológico-culturais
para proteção da fauna, flora, solos e recursos hídricos,
principalmente nas veredas e baixões onde moram os desafortunados,
devem ser implementados. Uma comunidade largada às traças,
tratada como inimiga ou como empecilho ao progresso, sem alternativa
de sobrevivência na região dos cerrados, é mais
que soja. Esta população tem seu valor e merece acolhida,
merece fazer parte do processo em condições que favoreça
sua inclusão social. Um planejamento ambiental para os cerrados
é crucial para o seu melhor aproveitamento e sustentação.
Desmatamentos, nem pensar, a não ser que esteja plenamente justificado
e em consonância com os dispositivos legais. Os corredores ecológicos
devem ser obrigatórios. O aumento da percentagem de reserva legal
é uma exigência que não pode deixar de ser cobrada
e cumprida. Desenvolver programas de educação ambiental
e se criar banco genético são instrumentos fundamentais
para que ocorra desenvolvimento sustentável na região.
O cerrado é mais que soja.
Vêem quanto precisa ser feito para uma exploração
adequada dos cerrados!?... Uma decisão judicial não é
suficiente para barrar os desmandos que nele ocorrem, bem sabemos disso.
Começamos uma luta que esperamos seja de todos... MAS BRINCAR
DE EXPLORADORES DOS CERRADOS COMO NO PERÍODO COLONIAL, A ESSA
ALTURA, NÃO DÁ MAIS.
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