
Não é por nada não, mas todo cuidado é pouco
com a fala dos devoradores de meio ambiente. Na fala que você
pode ouvir parece que o homem age em perfeição harmonia
com a natureza... Pois duvide, questione, não canse de perguntar
e verá quão falho é o discurso da destruição,
verá quanto imbróglio guardam de enganação,
verá de quanta sofisticação é feita a aniquilação
da vida no planeta.
Alguns discursos se apresentam assim: - Foi muito sacrifício
chegar onde chegamos, proprietários de um pedacinho de chão,
para, com muito esforço, tirarmos nosso sustento... Grandes proprietários
de terra com os problemas inerentes ao setor são o que são,
são contumazes exploradores; vítimas são aqueles
que têm um inacessível chão por gerações
país afora, qualquer lavrador nato, filho de lavrador, neto de
lavrador, escravo da terra explorado inté a alma. – O que
conseguimos é fruto de um trabalho sério executado por
décadas... Depois de destruírem a natureza como gafanhotos
por onde andaram, invasores exploradores a norte, s sul, leste e oeste,
usurpando e aniquilando tudo, destróem o meio ambiente e o modo
de vida existente em qualquer lugar. – Desenvolvimento é
o que trazemos... A porção da elite nacional mais conservadora
e retrógrada é a do “agro-busines”, comprometida
com o capitalismo selvagem, um “coronelismo” reinante de
base exploratória sem fim, de falta de respeito à condição
humana, incapaz de auferir promoção social e comprometedor
do meio ambiente, porque não há interesse maior que levar
a exaustão os recursos naturais existentes, porque não
importa amanhãs. – Derrubamos a floresta para termos a
terra produtiva... Derrubam porque são inconseqüentes, têm
técnicas de manejo para uma exploração sustentável,
mas não utilizam, importa o imediato, o lucro irresponsável,
porque não conseguem reconhecer os limites da natureza, deitam
na impressão que ao devorarem-na são aqueles escolhidos
a quem pertencerá o paraíso, suas cobiça e avareza
culmina a destruição, cegos que se fazem, porque importa
o status quo. – Geramos empregos, oportunidades... Mínimos
e miseráveis empregos é o que conseguem gerar, são
vorazes concentradores de terra e renda, exploradores os mais sagazes
e insatisfeitos, abocanham o que têm pela frente. – Protegemos
a natureza, as reservas legais são obedecidas... A política
que desenvolvem é a da terra arrasada, reserva só se for
de mercado para aquilo que produzem, o resto não interessa; floresta
e macaco, para quê!? Já basta um desvalido que esteja a
serviço recebendo migalhas no final de cada mês a duras
penas, fazendo o que a obrigação exige e aprouver, porque
se não fizer, ta na rua e escafeder-se é a solução;
porque a propriedade é mais de posse que de direito, essa reserva
vai para as cucuias, são os donos do mundo e nele fazem as suas
regras. – Tudo o que tiramos da natureza restituímos, reflorestamos...
São tão práticos, não têm nem o trabalho
de escolher um espécime do lugar de onde estejam para fazerem
seus florestamentos, para impressionar troianos, importam coisa rara,
exótica, eucaliptos australianos que serve de troféu,
marca de suas presenças. – Fazemos tudo dentro da lei...
Fazem o possível e o impossível para não terem
nada dentro da lei, porque pelo que acompanhamos num único negócio,
pelo que há de irregularidades, só pode ser fruto do abnegado
interesse que têm em fazerem as coisas incorretas; fazem EIA’s
e RIMA’s de brincadeirinha, compilam um monte de asneiras forjando
um documento que não sabemos porque carga d’água
é aprovado e liberado, por isso, danam-se de se acharem “os
tais” como os maiores fazedores de deserto em Antonio Almeida,
Baixa Grande do Ribeiro, Ribeiro Gonçalves e Uruçuí,
porque parece ser mesmo importante fazer desertos; o ecossistema frágil
da região não agüenta tanto desmazelo e destruição,
desse jeito seu destino certo é o deserto.
TODO
CUIDADO É POUCO COM OS EXPLORADORES DE CERRADOS...
SEU ENVOLVIMENTO, COMPREENSÃO E LUTA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE
É
A ÚNICA FORMA DE PROTEGÊ-LO E SALVÁ-LO.
JUDSON BARROS.
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