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1 – O que a BUNGE não conhece:
Ecologia não é coisa de Bunge. É ao contrario dos
interesses dela, “La Cosa Nostra”, de nós brasileiros,
nordestinos, amazônidas, descendentes de índios
.
Começo estas minhas considerações afirmando que
os químicos da BUNGE, os agrônomos da BUNGE e a direção
financeira da BUNGE na Holanda, nos Estados Unidos, na Argentina ou
até na Cochichina nunca viram um araçazeiro, um pé
de araticum, uma palmeira babaçu, côco babaçu, azeite
de babaçu, gorgolô de côco babaçu, palha de
babaçu, talo de babaçu, embira do olho de babaçu,
leite de côco babaçu, carvão de casca de côco
babaçu, palmito do olho da palmeira babaçu. Os “doutores”
em química de alimentos da BUNGE nunca viram bacaba, bacuri,
buriti, barbatimão (remédio do povo pobre), buritirana,
baru (para ração de gado), cajá, caju, cajeú,
fava d’anta, grão-de-bico, guabiraba, guabirela, garoba,
ingá, inharé (remédio do povo pobre), jatobá,
macambira, mama-cachorro, mangaba, Maria-preta, marmelo do cerrado,
massaranduba, mirindiba, murici oi-de–boi, piaçaba (palmeira
e coco), pequi, puçá, tucum e taturubá! São
essas maravilhas da natureza, todas dos cerrados do Maranhão
e do Piauí que os indígenas usaram por milhões
de anos e o povo do sertão ainda usa. Chega entre nós
uma BUNGE que vem mandada do “Anti-Cristo” por ordem de
Satanás e exige dos governantes que todas essas espécies
sejam arrancadas pelas raízes para limpar o chão e plantar
soja para gerar dólares para meia dúzia de capitalistas
desalmados e irresponsáveis da Europa, Japão e Estados
Unidos.
2 – O que a BUNGE esconde do povo do Piauí:
Cientista renomado (Engenheiro Agrônomo, professor da UFCE, Doutor
em Economia Ambiental e dos Recursos Naturais – José de
Jesus Sousa Lemos) fez uma pesquisa sobre o cultivo da soja no sul do
Maranhão. Estudou a degradação ambiental dos municípios
de Alto Paranaíba, Tasso Fragosso, Loreto, Fortaleza dos Nogueiras,
Riachão e Balsas. Comparou a produção de soja por
hectares nos anos de 1999 e 2000 com a produção das tradicionais
culturas do lavrador sertanejo, avaliando produção de
arroz, feijão, mandioca e milho. Todas essas culturas revelam
maior tonelagem por hectare na frente da soja, sendo campeã a
mandioca que produz 5,3 toneladas por hectare, enquanto a soja, com
toda tecnologia, só produz 1,1 tonelada por hectare, com a diferença
que farinha de mandioca é alimento do povo pobre e soja é
pra vender aos ricos.
3 - Os cerrados e a fruticultura de espécies nativas:
Estudos feitos recentemente (2001) pelo agricultor e sindicalista Joaquim
Alves, de são Raimundo das Mangabeiras-Ma revelam que na área
de cerrado de seu município podem contar-se por hectare de cerrado
virgem 220 faveiras, 10 pés de bacuris, 3 pés de mangaba,
3 pés de pequi, sem contar as araçás, inharés,
sucupiras, tinguis etc. Mantendo se o cerrado em pé, tem-se maior
rendimento por hectare e não se destrói a natureza. A
derrubada da mata conduz à eliminação total das
espécies que nunca mais renascerão porque as árvores
são todas arrancadas pela raiz pelos tratores e correntões.
4 – Dados estarrecedores da história do mundo:
O autor Hnas-Joahim Netzer escrevendo sobre desertificação
no livro “Crimes contra a Natureza” fornece dados alarmantes
sobre a incapacidade de insustentabilidade de alguns países do
mundo que não souberam preservar suas florestas. “Na época
do Imperador Augusto, diz ele, a península Ibérica era
habitada por mais de 70 milhões de pessoas. Hoje, os 30 milhões
de espanhóis não mais conseguem obter seus alimentos pelo
cultivo de seu próprio solo. A cada 3 ou 4 anos, uma safra completa
tem de ser importada. A causa reside, exclusivamente no fato de que
a riqueza florestal da península Ibérica foi destruída
nos dois mil anos passados”
Esse mesmo autor ao analisar a morte das florestas de diversos continentes
afirma taxativamente: “onde morre a floresta, nasce o deserto”,
e ao comentar a relação da floresta com as chuvas enfatiza
o seguinte: “a mata assegura a normalidade da circulação
da água, a estabilidade do clima e a fertilidade dos campos agrícolas
adjacentes. Sua cobertura serve de defesa a irradiações,
equilibrando as oscilações da temperatura... 27 por cento
da água das chuvas ficam retidas nas copas das árvores
e se evaporam. Disso resultam novas chuvas”.
Esclarece ainda que certos arbustos penetram as suas raízes no
solo numa profundidade de até 8 metros e o entranhamento radicular
das árvores chega a milhares de quilômetros de extensão.
Desse sistema resulta que cada hectares de área florestal pode
absorver até 2 mil toneladas de água. O processo de desertificação
ocorre pela derrubada das matas porque quando a mata é derrubada,
as raízes morrem e o húmus desaparece completamente. O
solo perde sua capacidade de absorção da água das
chuvas, perde a firmeza, abrem-se crateras, a água das chuvas
escorre livremente por grandes extensões e arrasta a terra consigo.
Os ventos perdem o anteparo das matas, absorvem o que resta de umidade,
o clima se modifica ficando mais seco, a terra perde a fertilidade,
a safras diminuem e o deserto aparece por causa da imprevidência
do homem.
E é isto (desertificação) que já está
acontecendo no sul do Maranhão, com evidente sinais de desertificação
e vais acontecer no Piauí, onde os governantes não se
preocupam com o que Deus plantou: o cerrado e sua rica flora.
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