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Bunge Alimentos deixa de pagar 150 milhões de reais por ano ao
Estado do Piauí. Este acordo tem um prazo de 15 anos. O Governador
disse nos meios de comunicação que o Estado está
sem condições de cumprir com os seus compromissos e pagar
os servidores estaduais por falta de 100 milhões. Se a Bunge
estivesse pagando corretamente os impostos, pelo menos o ICMS, como
todos pagam, a situação do Estado talvez fosse outra.
Além de não pagar impostos a Bunge quer transformar os
cerrados do Piauí em lenha, o que já fez em outras regiões
do País. A Bunge quer usar a qualquer custo a lenha porque não
tem compromisso com o meio ambiente, com a sociedade e com o Estado,
visa somente o lucro. Diz que o Piauí é pobre e tem que
aceitar as suas condições.
A violência com que a Secretaria da Fazenda tem tratado os contribuintes
do ICMS no Estado é reflexo desta isenção da Bunge.
A vigília que exercem sobre seu negócio tem tudo a ver
com a isenção que deram a BUNGE. Dela nada se arrecada,
quando se sabe que se fosse obrigada a contribuir daria para cobrir
o déficit orçamentário anual do Estado. Por isso
o fiscal bate à sua porta. Por isso não há investimento
para fomento do desenvolvimento sustentável. Por isso os salários
estão atrasados. Por isso temos um ESTADO PARADO, HUMILHADO,
EM DESESPERO, na defesa de uma multinacional que apenas carrega tudo
que produz em nosso Estado. As migalhas que ficam servem apenas para
financiar campanhas de políticos e subornar aqueles que aceitam
o seu jogo.
A audiência pública ocorrida na Justiça Federal
sobre o uso dos cerrados renovou o acordo para a destruição
dos cerrados. Isto demonstra quanto desprezo têm os que fazem
o Governo e a BUNGE pela nossa gente e quanto o lucro fácil os
faz rapinadores. Defendem um “desenvolvimento” deles, para
eles, com lucros fabulosos que se vão e uma pobreza e miséria
que ficarão eternamente quando acabarem de transformar os cerrados
em lenha. A Bunge não fez acordo, ditou o seu interesse. A FUNAGUAS
não se enquadrou e por isso seus membros são tratados
como rebeldes e contra a desenvolvimento do Piauí. Isto não
é verdade, o que queremos é a promoção de
um desenvolvimento que não contemple somente uns poucos e que
não seja somente o tempo que a Bunge terá a isenção
fiscal do Estado. Nos cerrados corre o rio Parnaíba e seus afluentes,
todos fadados à morte por causa do desmatamento. O deserto de
Gilbués é um aviso. Os seis anos que acordaram é
o tempo que queriam e agora dispõem para “TOCAR FOGO”
nos cerrados do Piauí.
A FUNAGUAS não concorda com a decisão que o Ministério
Público Federal e Estadual, a Bunge e a Justiça Federal
homologaram porque defendemos a vida, a natureza e o desenvolvimento
sustentável.
JUDSON – Ambientalista da FUNAGUAS.
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