| RELATÓRIO DA PRIMEIRA EXPEDIÇÃO DO PROJETO BIOMA
MAPEAMENTO DAS POTENCIALIDADES DA BIODIVERSIDADE DO O reconhecimento de áreas protegidas e por conseguinte dos biomas maranhenses é importante para a manutenção dos recursos genéticos da fauna e da flora, e também para a reserva estratégica de água dos mananciais aquíferos, principalmente em áreas de nascente. Assim, com o intuito de salvaguardar a grande diversidade da paisagem e da biota do Maranhão foi elaborado o projeto preliminar de Sustentabilidade e Vulnerabilidade dos Biomas Maranhenses. O Programa de Ações Prioritárias para os Grandes Biomas Brasileiros foi estruturado especialmente para desenhar estratégias regionais de conservação da biodiversidade para os principais ecossistemas do país. Ele foi concebido para avaliar a riqueza biológica e os condicionantes sócio-econômicos da região e apresentar bases técnicas para a sua conservação (MMA, 1997). O Maranhão apresenta uma superfície de 328.366 km2. É um Estado de transição geográfica entre as regiões Norte, Nordeste e do Brasil central, que apresenta grande relevância ecológica por conter quase todos os biomas brasileiros tais como: pré-amazônia, cerrado, caatinga ("carrasco"), cocais, baixada maranhense, dentre outros (Sematur, 1991). Considerando a grande diversidade do Estado, torna-se urgente a sua inserção na Política Nacional de Biodiversidade (MMA,1997) que contribua para garantir a proteção e gestão de sua riqueza. O Maranhão comporta 60% de Cerrado, representando mais da metade de todos os biomas existentes no Estado (Sematur, 1991). O Cerrado é umas das regiões de maior biodiversidade do planeta e cobre 25% do território nacional. Estimativas apontam mais de 6000 espécies de árvores e 800 espécies de aves, além de grande variedade de peixes e outras formas de vida. Calcula-se que mais de 40% das espécies de plantas lenhosas e 50% das espécies de abelhas sejam endêmicas, isto é, só ocorrem nas savanas brasileiras. Devido a esta excepcional riqueza biológica, o Cerrado, ao lado da Mata Atlântica, é considerado um dos "hotspots" mundiais, isto é, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta (MMA, 1997). Por ser o Maranhão um Estado de transição geográfica, pode-se considerar que muitas áreas podem estar servindo de corredores ecológicos no processo de distribuição das espécies, influenciando na dinâmica dos ecossistemas. Além disso, é onde ocorre o ponto extremo oriental da distribuição das formações Amazônica, e extremo Nordeste das formações de Cerrado e Caatinga, e é muito representativo com relação a algumas espécies endêmicas. Este estudo fornecerá as bases para um futuro zoneamento sócio-econômico sustentável para a região de Balsas. Além da preocupação em preservar uma parte desse ecossistema, a presente proposta visa conciliar seus objetivos com os empreendimentos agrícolas da região, dando suporte para o desenvolvimento sustentável. Somente parte dessa área abrangente de Balsas se destinará para preservação e conservação. Isto reflete em um estado de "saúde ambiental" para essa região, tornando-a sustentável a longo prazo. A
região de Balsas, tem sido alvo da implantação
de grandes projetos agrícolas como o PRODECER (Programa de Desenvolvimento
do Cerrado) I, II, III, BATAVO, empreendimento agropecuário NOVA
HOLANDA, principalmente. Atualmente, a região vem sofrendo um
processo de degradação ambiental pelo uso intensivo do
solo para fins agriculturais. No Maranhão, quase todos os empreendimentos
desta natureza implantados desde 1980, têm utilizado tecnologias
avançadas, com o objetivo de aumentar os índices de produtividade
e minimizar os custos de produção. Esta realidade se defronta
em parte com os benefícios de uma agricultura moderna e dinâmica,
mas por outro lado com os impactos ambientais. Segundo dados do IBGE
entre 1984 e 1997 houve um incremento da ordem de 121.740 ha de área
cultivada na região, implicando na produção de
264.600 t de soja em 1997 e consumo de cerca de 50% de defensores agrícolas
do total utilizado na atividade agrícola do Estado (PROÁGUA/MA,
1998). A região de Balsas se localiza ao sul do Maranhão, fazendo parte da bacia do Rio Parnaíba (06o40' e 09o 25'S; 44o35'e 47o 10'). O Rio Balsas tem suas cabeceiras na Chapada das Mangabeiras a uma altitude média de 600m, apresentando uma bacia hidrográfica de 24.540 km2 . Fica localizada numa zona quente e semi-úmida. A vegetação predominante é o Cerrado "sensu stricto". Foram reconhecidas 10 formas de vegetação no Cerrado: mata de galeria inundada associada à vereda de buritis, com campo úmido e murundus, vereda de buritirana, com campo úmido, cerrado aberto, cerrado denso (sensu-strictu), cerrado degradado, brejo (vegetação que cobre áreas encharcadas artificialmente), capoeira (vegetação de crescimento secundário, cobrindo calreiras), pasto (cerrado em que foram totalmente removidos os arbustos, arvoretas e árvores, ficando só o estrato herbáceo, usado na alimentação do gado) e mata de cachamorra-branca. Os cinco últimos tipos correspondem às vegetações alteradas pela atividade humana (PROGEA, 1995). É encontrado também mata de galeria, além de capoeiras em diferentes níveis de degradação e pastagens (Figueiredo com. pess.). A região de Balsas abrange 7 municípios, cada um com sua sede administrativa. A população total é de 88. 253 habitantes, com uma densidade demográfica total de 2,76 hab/km2 . A maior concentração da população encontra-se na zona rural, correspondendo 75,15% da população total (Proine, 1987). Quanto à infra-estrutura de saúde, a população de Balsas é servida por uma rede de 10 unidades médico-hospitalares. A economia local, engloba um total de 12. 730 estabelecimentos, sendo que 11.790 agrega o setor primário (92,62%), 50 o setor secundário (0,39%) e 890 o terciário (6,99%). A estrutura fundiária é caracterizada por minifúndios de até 5 ha e uma área média de 1, 47 ha, junto com as pequenas propriedades, com estratos de 5 a 20 ha , totalizando 18.098 ha . No outro extremo, entre as grandes propriedades e latifúndios, respectivamente nos estratos de 200 a 1000 ha e mais de 1000 ha, verifica-se que apenas 1.544 estabelecimentos (13,10%) detém 1.344.527 ha, correspondente a 88,55% das áreas. A utilização da terra está subdividida em lavouras, pastagens, matas e terras produtivas não utilizadas (Proine, 1987). A bacia hidrográfica de Balsas faz parte da bacia sedimentar do Piauí/Maranhão, assentada sobre as rochas cristalofilianas do complexo cristalino Pré-Cambriano. As formações serra Grande e Cabeças são conhecidas como excelentes aquíferos no âmbito da bacia sedimentar do Piauí/Maranhão (Proine, 1987). O
regime de chuvas da região é nitidamente tropical, caracterizado
por um período chuvoso que se inicia em dezembro e se prolonga
até abril, com chuvas fortes, e o período seco (maio a
novembro) com precipitações muito esparsas. O clima da
região é do tipo Aw, clima tropical de savana, com inverno
seco e verão chuvoso. A temperatura média varia de 25o
C a 26o C (Proine, 1987). Levantamento fotográfico (filme convencional e slide) das principais características ambientais. Definição dos pontos de amostragem através da carta planialtimétrica e GPS. Realização
de perfis transversais no Ribeirão Gado Bravo (próximo
ao povoado de Buritirana e na confluência com o Rio das Balsas)
e no Ribeirão do Cajá com medição de velocidade
de corrente utilizando-se trena de 50m, mira falante, balizas, cronômetros
e flutuadores. Ainda durante os trabalhos de campo observou-se a presença de colinas de topo convexo, morros testemunhos e amplos e estreitos vales fluviais, assim como extensas áreas der cultivos muito próxima das bordas (escarpas) das chapadas o que poderá ocasionar num futuro próximo tanto a perda de áreas agricultáveis como o assoreamento dos recursos hídricos em conseqüência das erosões. A referida área em estudo situa-se na Bacia do Rio das Balsas em clima sub-úmido com precipitação pluviométrica variando de 1.000 a 1.300mm/ano, concentrado de outubro a abril e temperatura média anual em torno de 25.5ºC. O rio Balsas com uma vazão média anual em torno de 131m³/s, o qual banha a cidade de mesmo nome, nasce entre a Chapada das Mangabeiras e a Serra do Penitente na cota de 577m apresentando-se perene ao longo dos seus 525km (IBGE, 1996). Todavia, durante os trabalhos de campo pode-se constatar o assoreamento de alguns trechos do rio devido aos desmatamentos da mata ciliar em virtude das atividades agrícolas. Ainda no tocante aos recursos hídricos da área delimitada tem-se a presença do Ribeirão do Gado Bravo, Cajá e Bom Acerto os quais caracterizam-se pela presença de canais retilíneos e/ou meandrantes com pequena largura e profundidade (Anexo 1). A realização dos perfis transversais em diferentes épocas do ano permitirá estimar a taxa de erosão ou assoreamento, bem como a vazão dos referidos cursos d'água. Em virtude da necessidade de conservação da área selecionada para o estudo das potencialidades do cerrado, a referida equipe está analisando a viabilidade de estender os estudos para toda bacia do Ribeirão Gado Bravo e Bom Acerto. |