NOTÍCIAS

1.Três deputados propõem comissão para avaliar situação da Bunge
2.Justiça determina e audiência sobre Caso Bunge será na próxima semana
3.Representantes da multinacional vão conceder entrevista coletiva à imprensa
4.TRF impede que multinacional use lenha como matriz energética
5.Funaguas vai contestar acordo do MP com a Bunge
6.Bunge continua no PI, mas ainda precisa finalizar acordo
7.Bunge não aceita uso do gás e nem ajuste de conduta para ficar
8.MPF denuncia trabalho escravo em Baixa Grande do Ribeiro
9.Brasil é prioridade da Bunge mundial
10.ONGs dizem que empréstimo aprovado pelo banco a empresa de MT é precedente para financiamento à devastação
11.Bunge promove desmatamento do cerrado
12.O cerrado-da-mãe-joana
13.Soja invade a Amazônia
14.ICV - Instituto Centro de Vida AGÊNCIA DE NOTÍCIASNovas denúncias contra Bunge direcionadas ao Ministério Público
15.Governador mente ao STJ para favorecer BUNGE
16.Subprocuradoria-Geral da República dá parecer desfavorável à bunge e ao governo
17.Laudo do IPT não garante auto-suficiência de Lenha pela BUNGE
18.Relatórios da FIGENER e da PETRO autorizam utilização de Petcoke
19.Lenha no pátio da BUNGE
20.Plante a vida, plante uma árvore

 

1.Três deputados propõem comissão para avaliar situação da Bunge

A maioria dos deputados defendeu, nesta segunda-feira(23), na Assembléia Legislativa, a instalação de uma comissão para
tomar uma posição política na defesa da permanência da empresa Bunge alimentos, ameaçada de fechar na região Sul do Piauí.

Os deputados João Mádison(PMDB), Chico Filho (licenciado/PMDB) Leal Júnior(PFL) defendem a permanência da empresa porque traz o desenvolvimento do estado. Existe uma questão jurídica e política, nesse caso, segundo os parlamentares. O uso da lenha tem causado grande desmatamento em Uruçuí e, a Curadoria do Meio Ambiente, proíbe a produção dessa forma.

O líder do governo, deputado Warton Santos, defende uma união das bancadas estadual e federal junto ao Congresso Nacional para evitar o fechamento da Bunge, que tem isenção de impostos pelo prazo de nove anos. Warton afirmou que o governador Wellington Dias vai se reunir com representantes do estado para tratar da questão que preocupa moradores, empresários e a população da região Sul do Piauí.

Na próxima quarta-feira (25) os trabalhadores irão realizar manifestação pública, quando, será interditada parte da rodovia que liga Teresina a Uruçuí, em defesa da permanência da empresa na região.


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2. Justiça determina e audiência sobre Caso Bunge será na próxima semana

Por determinação da Justiça Federal serão realizadas no período de 17 a 21 de maio (próxima semana), em Teresina, Antônio Almeida e Uruçuí, Audiências Públicas que visam tratar sobre a importância dos projetos desenvolvidos pelas empresas Mineradora Graúna e Bunge Alimentos.

A realização fica por conta da Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos – Semar, que coloca à disposição da
população e órgãos interessados a apresentação dos relatórios de Impacto Ambiental das empresas em discussão.

As duas primeiras audiências, segunda e terça-feira respectivamente, acontecerão às 10 horas, no auditório da Semar. A primeira será referente a empresa de Mineração Graúna, que realiza desmatamento de lenha no cerrado piauiense e a segunda ficará por conta da empresa Bunge Alimentos.

No dia 20 de maio acontece a audiência pública, às 10 horas, no Fórum Desembargador Edgard Nogueira, na Praça da Justiça no município de Antônio Almeida. Populares e autoridades estaduais e municipais, ambientalistas, além de representantes da empresa Mineradora Graúna terão a oportunidade de discutir sobre o relatório de Estudo Ambiental. Esta é a segunda audiência pública realizada naquela região para tratar sobre o empreendimento da Graúna.


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3.Representantes da multinacional vão conceder entrevista coletiva à imprensa

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR) vai promover, nesta terça-feira(18), uma audiência pública para discutir o relatório de impacto ambiental nos cerrados do Piauí.

Os diretores da multinacional Bunge Alimentos confirmaram presença. O evento deve reunir ambientalistas e membros do
Poder Executivo, Legislativo e Ministério Público.

A audiência foi solicitada pela Justiça Federal, após o recebimento de uma ação judicial do Ministério Público Estadual exigindo maiores esclarecimentos sobre a licença ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental da empresa.

A audiência tem início às 10h da manhã, no auditório da SEMAR, e logo após, ás 13h, Diretores da Bunge Alimentos realizarão uma coletiva com a imprensa.


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4.TRF impede que multinacional use lenha como matriz energética

Selene Almeida condiciona funcionamento da Bunge A decisão vinha sendo mantida em sigilo, mas desde o dia 26 de fevereiro a desembargadora Selene Maria Almeida do Tribunal Regional Federal da 1ª região de Brasília determinou que a
Bunge, instalada em Uruçuí deixe de usar como força motriz a lenha que alimenta suas caldeiras, sob pena da empresa ser
fechada.

"Faculto a Bunge a substituição da lenha por outra matriz energética menos danosa ao meio ambiente. Na hipótese de discordância a imediata suspensão de suas atividades na unidade de Uruçui", diz o documento.

No despacho a magistrada determinou ainda que a mineradora Graúna, responsável pelo fornecimento da lenha para a multinacional, suspenda imediatamente o corte na região dos cerrados, sob pena de pagar uma multa diária de R$ 5 mil.

A desembargadora federal atendeu a um agravo de instrumento, ajuizado pela Fundação Águas (FUNAGUAS) - Ong que denunciou à Procuradoria da República no ano passado o desmatamento indiscriminado nos cerrados para alimentar as caldeiras da Bungue.

Ainda em 2003, o Procurador da República, Tranvanvan Feitosa ajuizou uma Ação Civil Pública contra a multinacional, após uma visita "in loco" à sede da empresa. O juiz da 2ª Vara Federal, Sando Helano chegou a conceder prazo de 60 dias para que a Bunge fizesse um novo estudo de impacto ambiental. A FUNAGUAS chegou a pedir o fechamento da empresa.

O diretor da Ong, Judson Barros comemorou a decisão e disse que ela representa uma "vitória do povo do Piauí." O ambientalista frisou que o desmatamento na região dos cerrados "virou um negócio lucrativo. Um metro de lenha é comprado em média por R$ 0,80 e vendido por R$ 25." Barros quer ainda a responsabilização do Estado e da empresa "por esse crime ambiental absurdo que foi cometido." A empresa foi notificada da decisão no último dia 9 de março.


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5.Funaguas vai contestar acordo do MP com a Bunge

A Funaguas vai contestar judicialmente o acordo assinado ontem (30) entre a Bunge, o Ministério Público Federal, a Justiça Federal. A afirmação é do ambienalista Judson Barross. Ele afirmou que a Funáguas, entidade não governamental, que representou judicialmente contra a utilização da madeira como matriz energética da unidade de esmagamento de soja no município de Uruçuí foi excluída da assinatura do acordo.

“O acordo não pode ser assinado sem presença da fundação”, afirmou o ambientalista. Ele disse que “o teatro feito ontem, não tem validade nenhuma”. Ele frisou que a Funaguas já comunicou a desembargadora Selene Almeida, do Tribunal Regional Federal da 1º Região, que a fundação foi excluída da assinatura do acordo.

Segundo ele, a batalha da fundação é para que seja utilizada outra matriz energética na indústria. A lenha é coisa do passado, não se pode admitir que em pleno século XXI ainda se use madeira”, finalizou.

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6.Bunge continua no PI, mas ainda precisa finalizar acordo


A Bunge Alimentos vai continuar atuando no Piauí. Porém, só vai voltar a funcionar efetivamente após o Ministério Público concluir o acordo. Desde o início da tarde desta segunda-feira (30), está sendo realizada, uma reunião no prédio da Justiça Federal, entre Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Funáguas, Ibama e Bunge Alimentos. O juiz que conduz a audiência é Agriberto Gomes Machado. O acordo fechado, até o momento, diz respeito aos seguintes termos: a Bunge fará compensação ambiental; Será investido um percentual de recursos da empresa na reserva de Uruçuí uma área de preservação ambiental; A Bunge Alimentos vai continuar usando a lenha como matriz energética.

Hélio Seguenini, gerente da mineração Graúna, participa da reunião e acredita no fechamento do acordo. "O acordo está em vias de ser fechado. Ficou acertado de usar a lenha como matriz energética, nos próximos 5 anos e reposição da lenha derrubada com eucalipto”, frisou ele.

Nelson Nery, advogado da Graúna informou que o eucalipto que vai ser plantado para valer o acordo vai subir de uma área de 5 mil hectares para 7 mil hectares plantados e que o valor da compensação é de 350 mil reais bancados pela Graúna e pela Bunge, que corresponde a 0,5%.

Vale ressaltar que a Funáguas não quis fazer parte do acordo e se posicionou contra a assinatura. O Ministério Público se mostra favorável aos questionamentos levantados pela Bunge e o acordo, ainda em discussão, está perto de ser finalizado.


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7.Bunge não aceita uso do gás e nem ajuste de conduta para ficar

A Bunge não vai aceitar o termo de ajuste de conduta, proposto pelo Ministério Público Federal, pra ser decidido em reunião, às 15 dessa sexta-feira, onde a empresa é obrigada a trocar sua matriz energética, na sua unidade em Uruçuí. Os argumentos da multinacional, passados para o Portal AZ, seguem a linha de raciocínio de que eles não estão errados na questão, logo, não terão porque se sujeitar aos termos propostos. Segundo fonte da empresa, também não será aceita a sugestão do procurador da República Tranvanvan Feitosa, de trocar a lenha pelo gás natural.

O gás, de acordo com a Bunge, não é a fonte de energia considerada ideal pela empresa. Ademais, lembra a fonte, o governo do Estado não conseguiu dotar a região dos cerrados da mínima estrutura, do tipo, estradas, energia elétrica e telecomunicações, dificilmente terá meios - inclusive financeiros - para a construção de um gasoduto na região.

O que está interessando à Bunge nesse momento, é o julgamento do mérito da ação judicial que culminou na paralisação das suas atividades.O que se está sabendo é que tem gente demais, principalmente políticos, querendo tirar proveito eleitoral (e financeiro) dessa crise. O que só tem atrapalhado.


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8.MPF denuncia trabalho escravo em Baixa Grande do Ribeiro

O procurador da República, Wellington Bonfim, denunciou José Antônio Gorgen, Salete Teresinha Gorgen, diretores da Companhia Agrícola do Ribeirão, fazenda localizada no município de Baixa Grande do Ribeiro-Pi, e Alexandre Celestino de Oliveira, por manterem 29 trabalhadores rurais em condições análogas às de escravo. A deúncia foi baseada em representação da Delegacia Regional do Trabalho do Piauí. Os trabalhadores faziam a cata de raízes e a aplicação de calcáreo no solo para o plantio de soja, em exaustiva jornada, sem registro de contrato na Carteira de Trabalho, sendo submetidos a condições degradantes de trablaho, devidas às péssimas condições de higiene, saúde, alimentação e moradia.

Os administradores da fazenda Ribeirão contrataram Alexandre Celestino para aliciar os trabalhadores, sem assegurar condições de retorno aos seus locais de origem. As vítimas, recrutadas na zona rural dos municípios de Baixa Grande do Ribeiro e Uruçui, eram obrigadas a adquirirem mercadorias no estabelecimento do “gato” Alexandre Celestino, ficando impossibilitadas de se desligarem do serviço em virtude das dívidas que contrairam para comprar alimentos, pasta dental, cigarros, fumos, bebidas alcoolicas e, inclusive, equipamento de proteção individual, a preços elevados.

Alguns trabalhadores afirmaram que estavam sem receber salário e passando fome. Segundo os fiscais do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, o trabalho era prestado com total informalidade, em condições sub-humanas e degradantes, sem observância das normas de medicina e segurança do trabalho e com jornada muitas vezes superiores a 10 horas diárias e em péssimas condições de higiene, alimentação e moradia. Os alojamentos abrigavam 60 trabalhadores, com apenas 2 banheiros. Foram fornecidos apenas quatro copos e os bebedouros ficavam longe dos alojamentos. A empresa também não forneceu recipientes para água, a qual era levada ao campo em vasilhas trazidas pelos próprios trabalhadores, que preparavam a refeição ainda de madrugada e se alimentavam no campo, ao relento e sem sombra.

Como não foram fornecidos equipamentos de proteção individual, os trabalhadores que faziam a capina ficaram sujeitos a perfurações e ataque de insetos peçonhentos. O empregador também não garantia nenhum material para prestação de primeiros socorros, nem condições para atendimento de urgências. Um dos trabalhadores, Aldenor Carneiro, sofreu acidente enquanto trabalhava e não recebeu qualquer assistência da fazenda Ribeirão, ficando sem mais condição de trabalho e sem obter atestado médico porque sua Carteira de Trabalho não foi assinada.

Para o procurador Wellington Bonfim, os denunciados, responsáveis pela administração e gerência da Companhia Agrícola Ribeirão cometeram crime, por reduzir a condições análogas às de escravo seus trabalhadores, submetendo-os a jornada exaustiva e a condições degradantes de trabalho. Cometeram também o crime de frustação de direito trabalhista por haverem permitido que o “gato” Alexandre obrigasse os trabalhadores a usarem mercadorias de estabelecimento seu, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida, concorreram ainda para aliciamento de trabalhadores fora do local de execução do trabalho, sem assegurar condições de retorno aos seus locais de origem.

 


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9.Brasil é prioridade da Bunge mundial


A Bunge Limited, maior processadora de soja do mundo, com vendas de US$ 22,16 bilhões em 2003, planeja concentrar a maior parte de seus investimentos globais dos próximos anos no Brasil. A aposta considera que o País é um dos poucos locais com potencial de ampliar as áreas cultivadas e a produção do agronegócio. Mas a direção da empresa reclama da burocracia, que já levou o grupo a decidir a construção de um porto na Argentina, enquanto não consegue as autorizações para colocar em prática os investimentos necessários para crescer no Brasil.

Em Joinville, ontem, o presidente mundial da companhia, o paulista Alberto Weisser, disse que a corporação possui em média US$ 400 milhões para investimentos por ano. Como o projeto da Bunge para inversão no Brasil, apresentado ao presidente Lula na segunda quinzena do mês passado, é de US$ 1,3 bilhão para os próximos três a cinco anos, isso pode ser interpretado que o País vai absorver a maior parte do bolo.

"O Brasil não tem só a oportunidade de alimentar o mundo, mas a obrigação", afirmou Weisser, em sua palestra na Expogestão 2004, Feira de Atualização em Gestão, que tem apoio deste jornal.

Grande parte dos investimentos programados irá para logística (US$ 320 milhões), principalmente em instalações portuárias, onde o maior do desembolso (US$ 100 milhões) é para terminais em Santos, o que deverá ser feito em parceria com outras empresas. Outros US$ 370 milhões irão para a área de fertilizantes, onde a prioridade será a ampliação das 38 unidades fabris que a companhia possui.

A mineração de fosfatados nas áreas de concessão da Fosfertil, para abastecer as fábricas de fertilizantes, deverá receber US$ 260 milhões. O objetivo é ampliar a capacidade de extração e processamento, reduzindo a necessidade de importação, já que hoje entre 65% e 70% dessas matérias-primas vêm do exterior. A maior parte das minas fica nas regiões Sudeste e no Nordeste do País. Os investimentos restantes, de US$ 350 milhões, serão investidos na área de alimentos, na maior parte na instalação de plantas para o esmagamento de soja e processamento para produção de margarina.

Entre os exemplos de entraves, Weisser citou os encontrados em São Francisco do Sul, no norte catarinense, e em Santos. "Estamos há quatro anos tentando expandir o porto de São Francisco do Sul e não conseguimos as licenças", exemplificou, ressalvando, contudo, o empenho do governador catarinense Luiz Henrique da Silveira - a exemplo do presidente Lula em nível nacional - em resolver os problemas.

O objetivo da Bunge é ampliar o porto de São Francisco para importação e exportação, elevando a capacidade de movimentação de soja pela empresa no local, passando assim de uma capacidade de 2 milhões de toneladas para entre 5 e 6 milhões de toneladas anuais. As obras demorariam de um a dois anos e consumiriam cerca de US$ 30 milhões, segundo estimativa da empresa . "Seria feito todinho com nosso dinheiro, que já está alocado", afirmou Weisser. Mas até agora sequer a licitação para o terminal foi lançada. "A preocupação é tão grande que decidimos construir um porto na Argentina primeiro e essa soja vai sair primeiro de lá em vez de sair do Brasil, o que, como brasileiro, me deixa muito triste", afirmou.

"Em Santos, estamos há dois anos tentando construir o maior terminal portuário do Brasil e temos problemas de licenciamento", disse, para depois resumir: "A conseqüência é que no ano passado o produtor agrícola brasileiro perdeu US$ 1,2 bilhão por causa da ineficiência dos portos". O executivo refere-se principalmente às multas pagas que são pagas por atraso nos embarques dos navios.

A respeito dos problemas com o recebimento de soja brasileira pela China, Weisser ressaltou que a Bunge não encontrou dificuldades, mas que a situação se deve ao excesso de estoques de importadores. Eles estariam aproveitando o envio de um embarque, este efetivamente problemático, como desculpa para fazer ajustes. Mas como a China precisa comprar anualmente 20 milhões de toneladas de soja e não tem como produzi-la, seguirá importando, disse o executivo, que também chamou atenção para a crescente demanda daquele país por milho, outra oportunidade para o Brasil.

Fechamento de capital

A decisão de fechar o capital no Brasil, segundo Weisser foi uma reação ao interesse demonstrado pela Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que tem 7 pontos percentuais dos 17% do capital que estão no mercado.

"A Previ nos procurou para comprarmos sua participação, para adequar seus investimentos, e nós estamos interessados. Com isso, também estamos fazendo uma oferta ao mercado. Se os outros minoritários venderem, não tem nenhum problema de abrirmos outra vez o capital mais adiante outra vez. Temos 50 anos de capital aberto."

Weisser, que é presidente do conselho da Seara, disse que os acionistas controladores da empresa, os mesmos da Bunge, estão felizes com a companhia, num claro recado de que uma eventual venda da empresa de carnes não sairá barata ao comprador. Recentemente a companhia, alvo freqüente de boatos sobre a venda, chegou a comunicar ao mercado estar avaliando eventos societários.

"A Seara é uma empresa extremamente eficiente, os retornos são extremamente bons. Existem muitos rumores e, pelo sucesso da Seara, sempre tem um interessado que gostaria de fazer algum barulho e está pensando em fazer uma oferta para a gente", disse. E o interesse em vender? "Como todo negócio, tem um comprador e um vendedor. Se o negócio for bom... Mas nós estamos muito felizes com a Seara. Ela está fazendo um trabalho belíssimo", disse Weisser, que dorme entre 80 e 100 noites por ano em aviões, cumprindo a missão de visitar as unidades da empresa espalhadas pelo mundo.

No Brasil, a Bunge faturou no ano passado R$ 18,4 bilhões, com seus 10,6 mil funcionários. Eles são quase metade do 23 mil que trabalham para a corporação no mundo. A companhia é a terceira maior exportadora do Brasil.


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10.ONGs dizem que empréstimo aprovado pelo banco a empresa de MT é precedente para financiamento à devastação

O presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, encaminhou ao escritório de ombudsman da IFC (Corporação Internacional de Finanças), braço do banco responsável por financiar o setor privado, um pedido de auditoria sobre um empréstimo de US$ 30 milhões aprovado em setembro pela IFC para a produção de soja no leste de Mato Grosso.
O financiamento será concedido ao Grupo André Maggi, de propriedade da família do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), maior produtor de soja do mundo. Ele será usado para capitalizar fornecedores da Maggi na região de Querência, com o objetivo de aumentar em 250 mil toneladas anuais a produção de soja.

O empréstimo é criticado por ambientalistas. A região de Querência abriga o ecossistema mais frágil da Amazônia, as chamadas matas de transição, e está ao mesmo tempo numa nova fronteira agrícola. O Grupo de Trabalho sobre Florestas, que reúne 19 entidades ligadas ao Fórum das ONGs, pediu ao banco que enquadrasse o projeto da Maggi na chamada categoria A (alto risco ambiental), que exige uma avaliação rigorosa de potenciais impactos ao ambiente.
A IFC e a Maggi, no entanto, classificaram o projeto na categoria B (impacto moderado), e nesses termos o empréstimo foi aprovado pelo Conselho do Banco Mundial, por unanimidade.

Embora a soja naquela região aproveite principalmente áreas que já foram desmatadas para a pecuária, existe o temor de que, com o empréstimo à Maggi, a IFC abra um precedente para financiar atividades destrutivas -como a própria criação de gado- na Amazônia, num retorno às práticas ambientalmente incorretas que marcaram o relacionamento do Banco Mundial com a floresta na década de 1980.

Desmoralizado

Wolfensohn, que se disse "preocupado" com a introdução da soja na Amazônia, havia prometido às ONGs avaliar a questão juntamente à IFC. Segundo Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra, a aprovação do empréstimo na categoria B deixava o presidente do Bird "desmoralizado".

Em carta enviada aos ambientalistas ontem, Wolfensohn afirmou ter encaminhado o caso ao CAO (Escritório de Aconselhamento e Cumprimento/Ombudsman) da IFC. O CAO funciona como um órgão independente de arbitragem, encarregado de ouvir queixas de comunidades ou empresas afetadas por um determinado projeto financiado pela IFC e dar pareceres ao presidente do Bird (Banco Mundial).

"Este caso é incomum porque o pedido foi encaminhado pelo próprio presidente", afirma Smeraldi. Na carta, Wolfensohn diz que "uma auditoria dará uma visão independente da questão" e que seus resultados serão tornados públicos pela IFC.
"Tenho estado envolvido há muitos anos com as questões complexas que envolvem a proteção da Amazônia. A dinâmica em torno da demanda mundial crescente por soja e da emergência do Brasil como um grande produtor acrescentam camadas de complexidade, e espero que o Banco Mundial possa continuar ajudando os atores principais a discutir e a agir juntos para administrar melhor esse recurso global único", afirmou Wolfensohn.

"Aguardo os resultados do trabalho do CAO", continuou o presidente do Bird em sua carta. "Entendemos que ele está aceitando os resultados da auditoria", disse Smeraldi à Folha. Dependendo do resultado, o Conselho do Banco Mundial pode reabrir a discussão sobre a classificação do empréstimo.

Outro lado

Procurada pela Folha, a assessoria de comunicação da IFC não havia respondido até o fechamento desta edição. O órgão considera, no entanto, que o empréstimo não envolve diretamente expansão na área plantada com soja, portanto, não requer abertura de áreas de floresta -sendo adequada a classificação na categoria B.

O diretor ambiental do Grupo Maggi, Ocimar Villela, afirmou que a produção de soja na região leste de Mato Grosso não é uma atividade de alto risco ambiental. A empresa já havia recebido um empréstimo da IFC. "Desenvolvemos uma série de ferramentas para fazer o acompanhamento ambiental dos [produtores] pré-financiados", disse Villela.


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11.Bunge promove desmatamento do cerrado


A empresa utiliza em suas unidades, um percentual assustador de madeira nativa do cerrado como principal matriz energética.

De acordo com o site Deolho.net, a Bunge, uma das maiores empresas do ramo alimentício no Brasil, utiliza em suas unidades, um percentual assustador de madeira nativa do cerrado como principal matriz energética. Em Uruçuí, no Piauí, a empresa alimenta suas caldeiras com 100 % com lenhas de árvores nativas do cerrado para produzir gordura, refinar óleo e industrializar a soja.

Com dados do Relatório Técnico 71675 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o site Deolho.net mostra percentuais altos de utilização de madeira do cerrado (97,5% em Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia e 91,7% emRondonópolis, em Mato Grosso) são uma constante nas unidades da empresa.

A unidade de Luziânia (GO), que utiliza quase 80% de madeira nativa do Cerrado para queimar em seus fornos e secar a soja, está localizada a apenas 60 km da sede do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília. A Bunge, em resposta a reportagem do site declarara que nunca desmatou sequer 1 hectare. "Ela apenas compra a lenha".

Percentual utilizado de madeira nativa nas unidades da Bunge

Uruçuí/PI 100,0 %
Luiz Eduardo Magalhães/BA 97,5 %
Passo Fundo/RS 93,3 %
Rondonópolis/MT 91,7 %
Campo Grande/MS 83,5 %
Luziânia/GO 79,8 %
Rio Grande/RS 48,0 %
Cuiabá/MT 13,2 %
Ponta Grossa/PR 11,9 %
Ourinhos/SP 8,7 %
Fonte: IPT - Relatório Técnico 71675


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12.O cerrado-da-mãe-joana


o cerrado brasileiro é a atual casa-da-mãe-joana da economia global, na maré de um agronegócio sujo e estrangeiro, que concentra a terra, explora a população e degrada os ecossistemas locais.


Os cerrados brasileiros se constituem numa fisionomia de savana única no planeta e abrigam 5% da biodiversidade planetária, além de serem a caixa dágua das grandes bacias hidrográficas brasileiras. A partir da inauguração de Brasília, a região de domínio do cerrado começou a ser mais intensamente ocupada, mas já viviam nela cerca de 11 milhões de pessoas em 1960, sendo 7 milhões nas zonas rurais. Até então, os cerrados não tinham sofrido fortes agressões - sua biodiversidade e seu papel de caixa dágua estavam preservados. A lógica tradicional de ocupação do solo, baseada na criação de gado, extrativismo e agricultura de subsistência, não rompeu os processos ecológicos que mantinham o funcionamento dos mais de dez diferentes ecossistemas que se abrigam dentro do domínio do cerrado.

Mas, já na década de 70, os cerrados vão se transformando progressivamente em fronteira agrícola. A soja é a grande vedete do chamado agronegócio atual, totalmente globalizado. Já ocupa cerca de 10 milhões de hectares na área do cerrado contínuo, o que representa mais de 5% de sua superfície. Do total da soja produzida no Brasil, 58% são em grande parte plantados por produtores procedentes do Sul do Brasil e grandes empresas agropecuárias, todos atrelados a esquemas de corporações transnacionais como Cargill, Bunge, Multigrain - as verdadeiras ganhadoras desse jogo, junto com a indústria (também transnacional) de máquinas agrícolas, sementes e agroquímicos. Isso vem sendo considerado um êxito agronômico e comercial do agronegócio, que se anuncia extremamente moderno e produtivo. Entretanto, evidências e fatos expostos diariamente vêm mostrar a face perversa dessa modernidade, na verdade arcaica, concentradora, predatória e, pelo menos em alguns casos, escravocrata.

Nas áreas mais novas dessa fronteira - Mato Grosso, Tocantins, Sul do Maranhão e do Piauí -, essa expansão se dá com base em trabalho degradante e no descumprimento da legislação ambiental. Na região de Balsas (MA), onde estive recentemente, já existem mais de 300 mil hectares de soja, quase tudo em terras que eram públicas até 15 anos atrás. As multinacionais financiam, compram e exportam mais de 1 milhão de toneladas de grãos na região. O custo para a população local é o assoreamento dos cursos dágua provocado pela erosão das chapadas cultivadas com o grão; a contaminação dessa água (cada hectare de soja consome de 5 kg a 10 kg de agrotóxico); diminuição da produção de alimentos de consumo regional; expropriação da população camponesa; e crescimento das periferias urbanas. Note-se que, para gerar um emprego, são necessários cerca de 200 hectares de monocultivo de soja; enquanto a agricultura familiar gera uma ocupação a cada oito hectares.

Essa realidade do cerrado brasileiro é cruelmente ilustrada por dados e notícias recentes: o Mato Grosso, estado governado pelo maior sojeiro do mundo, Blairo Maggi (produtor rural oriundo do Paraná, que também detém a concessão de transporte da soja, através da hidrovia do rio Madeira), foi o recordista de desmatamento em 2003 e onde mais se despejou famílias rurais no mesmo ano - mais de 6,5 mil, o equivalente a cerca de 6% da população rural do estado. Mato Grosso aparece ainda com o maior número de casos de trabalho escravo (17 fazendas, envolvendo 1,1 mil trabalhadores rurais), de acordo com a lista do Ministério do Trabalho, publicada pelos jornais, em 26 de julho.

As investigações sobre a chacina de Unaí (considerado o eldorado do cerrado mineiro), apontam para o fazendeiro Norberto Mânica (também produtor rural oriundo do Sul do País) como suspeito de ser o mandante do assassinato dos fiscais do Ministério do Trabalho. Mânica é o maior produtor de feijão do País, cultivado nas chapadas às custas de grandes captações de água que viabilizam a irrigação através dos pivôs centrais, técnica já banida em diversos países, pelo excesso de água que suga das fontes e do desperdício que gera.

Para agravar o quadro, a imprensa trouxe, recentemente, uma manchete de estarrecer: "Gringos invadem as terras do cerrado brasileiro - americanos e europeus trazidos por empresas dos EUA investem em plantações de algodão, soja e milho no País". A reportagem informa que empresas estrangeiras, com escritório no Brasil, promovem propagandas e excursões ao cerrado brasileiro (o cerrado baiano é a atual vedete), que geram a "venda" (sabe-se lá como são obtidas essas terras) de milhões de hectares de cerrado, onde se obtém retornos financeiros altamente compensadores.

Enfim, o cerrado brasileiro é a atual casa-da-mãe-joana da economia global, na maré de um agronegócio sujo e estrangeiro, que concentra a terra, explora a população e degrada os ecossistemas locais, sem agregar nada de sustentável à economia e à vida social dessas regiões. Desde 1500, mata-se e desmata-se para alimentar ciclos econômicos predatórios e excludentes: da cana, do ouro, da seringueira, do cacau, do café. Agora é a vez da soja e outros produtos coadjuvantes.

À margem desse modelo suicida, e lutando contra ele, centenas de iniciativas de uso sustentável dos recursos naturais do cerrado florescem, desde o fim dos anos 1980. Só que por trás delas não há corporações transnacionais, nem bancada ruralista, nem sociedades de agribusiness, nem fartos recursos governamentais. São populações camponesas, indígenas, entidades populares e agroecológicas, ambientalistas, pesquisadores independentes e outros que querem mostrar que é possível não tratar o cerrado como mero suporte de produção suja de mercadorias globais: ele pode ser fonte de riqueza social, cultural, econômica e ecológica permanente para o povo, o principal perdedor desse modelo. Para esse povo, o cerrado é a sua casa, o seu hábitat, lugar de vida, não de morte.

 


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13. Soja invade a Amazônia


Ongs asseguram que a oleaginosa promoverá o desmatamento na área, mas técnicos agrícolas discordam.

A soja, que desperta a ira dos ambientalistas pela esmagadora expansão de suas variedades transgênicas, soma uma nova acusação: pressionar as florestas amazônicas brasileiras. Embora os cultivos dessa oleaginosa não substituam diretamente áreas de mata da Amazônia, sua expansão em zonas próximas eleva o preço da terra e "empurra" outras atividades menos
rentáveis que avançam sobre a mata, como a pecuária, explicou Roberto Smeraldi, coordenador da organização não-governamental Amigos da Terra-Amazônia Brasileira.

Além disso, o cultivo da soja, atualmente o principal produto de exportação brasileiro, progride acompanhado pela criação de infra-estrutura para transporte, que é um grande vetor de desmatamento. A Amazônia perde a cada ano 25 mil quilômetros quadrados de florestas. A soja entrou no Brasil nos anos 60 pelo extremo sul do país, onde o clima mais se aproxima do da China, seu país de origem. Em seguida, seguiu para o norte, adaptando-se ao clima tropical graças a variedades desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), um conjunto de 40 centros especializados que teve papel decisivo no desenvolvimento agrícola do país nas últimas três décadas.

As ongs denunciam a expansão do cultivo de soja na área de transição entre o cerrado e a floresta amazônica, cujo desmatamento afeta gravemente o clima e a biodiversidade dos dois biomas. Há um "crescimento explosivo" da soja em
alguns pontos da Amazônia, como a região de Santarém, no oeste do Estado do Pará, afirmou Ane Alencar, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Santarém, cercada de florestas secundárias, encontra-se em áreas desmatadas há três séculos, perto de um porto exportador de soja, e é um "bolsão de seca" com a topografia ideal para a mecanização, ressaltou.

A área plantada ainda é pequena, perto de 30 mil hectares no ano passado, mas a previsão é de que se somarão outros 20 mil este ano, "invadindo florestas nativas, e não sabemos que impacto terá o monocultivo no ecossistema", advertiu Alencar. A Amigos da Terra aponta outras oito áreas de expansão dentro da Amazônia ou em suas fronteiras, em geral em regiões de savana, que ameaçam a floresta. Além disso, a exportação de soja valorizou a estrada que liga Cuiabá, capital do Estado do Mato Grosso, a Santarém, e isso estimulou a ocupação ilegal de terras públicas, cortes para confirmar a posse, com expulsão de moradores.

Entretanto, Homero Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Mato Grosso, nega que a soja cause prejuízos. E vai além, afirmando que os que a produzem são "os maiores ambientalistas" e fazem "conservação na prática", porque a oleaginosa cresce em áreas antes desmatadas ou de pastagem degradada, e fixa o nitrogênio, fertilizando a terra. Além
disso, quase todos os produtores praticam a "semeadura direta", sem remover a terra, uma técnica desenvolvida no Brasil que reduz a erosão e retém umidade. A soja "não é monocultivo", porque se alterna com o algodão, o milho e o arroz, afirma Pereira.

O Estado do Mato Grosso, onde ao norte começam as florestas amazônicas, é hoje o maior produtor de soja no Brasil, tendo colhido 15 milhões de toneladas este ano, 30% do total nacional. Há dez anos, produziu apenas cinco milhões de
toneladas. Desde os anos 80, o cultivo de soja também se expande de forma acelerada no cerrado, a savana com árvores baixas que ocupa uma extensa área central do Brasil e algumas "ilhas" na Amazônia. Devido às suas terras pouco férteis
e ácidas, demorou para se converter em uma próspera fronteira agrícola. Hoje, é uma apreciada região, pois seu perfil produtivo mudou graças à aplicação de fertilizantes. O cerrado oferece a vantagem de ter "períodos bem definidos de chuva" e uma topografia que permite a mecanização, explicou ao Terramérica Paulo Roberto Galerani, pesquisador do centro da Embrapa dedicado à soja, com sede em Londrina. A "vocação do cerrado" e o clima favorável permitem a todo o Mato Grosso colher "de 3,1 mil a 3,2 mil quilos de soja por hectare", uma produtividade superior à média nacional de 1,5 mil quilos, observou o presidente da Federação da Agricultura. Atualmente o cultivo ocupa cinco milhões de hectares, e essa área pode duplicar "somente com a recuperação de pastagens degradadas", de modo que não é necessário avançar sobre a Amazônia, "onde a soja não prospera" devido ao "solo fraco" e ao excesso de umidade, ressaltou Pereira.

Geraldo Eugênio de França, superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, afirmou que o Brasil pode usar racionalmente cerca de 60 milhões de hectares em degradação, duplicando a área semeada. Assim, seria possível dobrar a
produção de alimentos, fibras e outros produtos agrícolas, sem desmatar a Amazônia, assegurou. A Embrapa é "o braço do desenvolvimento sustentável", acrescentou, e rejeitou tanto o "agronegócio desmedido", quanto o "ambientalismo radical".


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14.ICV - Instituto Centro de Vida AGÊNCIA DE NOTÍCIASNovas denúncias contra Bunge direcionadas ao Ministério Público


Judson Barros

A Fundação Águas (Funáguas) entrou com um pedido de inquérito civil junto ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo investigação da possível compra de lenha pela Bunge em municípios onde a matriz energética não existe, como Luiz Correia, Parnaíba, Pedro II, Esperantina, Batalha, Madeiro, Piracuruca, Picos, Jaicós e até Teresina. O certo é que foi apresentado ao chefe da procuradoria, Carlos Wagner, várias guias de autorização de desmatamento - fornecidas pelo IBAMA - em vários municípios do estado do Piauí, autorizando o desmatamento nas regiões citadas. A Funáguas suspeita de que essas guias sejam fraudulentas e sirvam para "calçar" um amplo desmatamento nos cerrados piauienses.

"Se a Bunge tiver cortando lenha em Luís Correia, Parnaíba, Picos, Batalha, Esperantina e Teresina, a gente há de convir que não é uma lenha para desmatamento de plantação de soja, porque não se planta soja na Lagoa do Portinho. A não ser que seja uma coisa muito nova e eu não esteja sabendo que lá está se plantando soja", declara o presidente da Fundação, Judson Barros.

Barros vai além, e avalia que se existir esse desmatamento, há também a possibilidade da existência de trabalho escravo. Para apurar essa suspeita, o presidente da ONG vai na próxima segunda-feira à Procuradoria Regional do Trabalho pedir averiguação do caso. “Porque se estão desmatando o cerrado para se vender lenha para Bunge e essa vendagem ser calçada com essas guias de todo o estado, com certeza está tendo um trabalho de corte de lenha lá dentro do cerrado, em cima das serras. E essa prática está sendo um trabalho escravo, porque com certeza não existe nenhum acompanhamento por parte da Procuradoria Regional do Trabalho. Então ela própria tem que averiguar isso”, argumenta.

“É preciso saber de fato se a lenha está sendo comprada em todo o estado. Porque se não tiver, tem que se saber que guias são essas (Guias de Autorização de Desmatamento), que estão na Bunge, no próprio laudo feito pelo Instituto de Pesquisa Tecnológico (IPT); instituto contratado pela multinacional para fazer o estudo sobre a matriz energética para própria empresa”, diz.

Uso da lenha teria que ser em raio de 30 Km
O estranho é que laudo emitido pelo IBAMA (OFICIO Nº 164 de 21 de maio de 2003) diz que “Em anexo ao presente, estamos apresentando uma tabela, onde estão alguns dos empreendimentos situados a uma distância de 30 Km da Indústria, distância essa considerada por nós, como ideal para o fornecimento de material lenhoso dos desmatamentos autorizados”.


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15.Governador mente ao STJ para favorecer BUNGE


O Governador do Estado do Piauí encaminhou ofício de No. 593 ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) no dia 13 de julho de 2004 com a finalidade de sensibilizar o Presidente do STJ, Ministro Edson Vidigal a respeito da situação da Bunge no Piauí. No ofício o Governador aborda o pedido de Suspensão de Tutela Antecipada, feito pelo Estado do Piauí ao Ministro.

A alegação básica do Goveranador é a de que o Piauí está tendo prejuízo com relação arrecadação de ICMS relativo ao farelo de soja no valor de R$ 2.400.000,00 e óleo bruto no valor de 2.520.000,00 ao mês. No mesmo documento o Governador pede que o ofício seja juntado a Suspensão de Antecipação de Tutela, processo 76/PI e pede o deferimento do pedido para que não haja maiores danos à economia piauiense.

O Decreto No. 10867 de 11 de setembro de 2002, concede incentivo fiscal a Bunge Alimentos S/A na condição de 100% do pagamento do ICMS para os 9 primeiros anos na ocorrência de óleo bruto de soja e farelo de soja.

Desta forma a informação contida no ofício é mentirosa, visto que a Bunge não paga imposto relativo a ocorrência destes dois fatos geradores. É também questionável a situação do chefe do Executivo do Estado fornecer tal informação. Faz-se necessário que pelo menos se apure o porquê de tal conduta. A Assembléia Legislativa deve averiguar este fato para cumprir seu papel constitucional.

Mesmo nestas condições o Ministro do STJ negou o pedido feito pelo Estado do Piauí, alegando a falta de conhecimento da legislação em vigor por parte da Procuradoria Geral do Estado do Piauí.

O Estudo de Impacto Ambiental – EIA/RIMA – da Bunge não passou de peça de literatura de ficção, bem longe da realidade dos cerrados do Piauí.

Dr. Tranvanvan Feitosa – Procurador Geral da República no Piauí, no parecer do relatório do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, contratado pela Bunge para fazer estudo sobre as possibilidades de matrizes energéticas.


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16.Subprocuradoria-Geral da República dá parecer desfavorável à bunge e ao governo

A Subprocuradora-geral da República, Dr. Gilda Pereira de Carvalho deu parecer desfavorável ao Governo do Estado e à Bunge no pedido da Suspensão de Tutela Antecipada encaminhada pelo Estado do Piauí ao STJ. A Subprocuradora-Geral da República faz as seguintes considerações:

1. Não é razoável que a maior empresa em atividade no Brasil no setor de agronegócios permaneça, com altos custos para o Meio Ambiente, utilizando matriz energética de lenha, destoando de outras empresas do setor que se utilizam de outras fontes energéticas.
2. A Bunge deve de imediato procurar outras matrizes energéticas, o que certamente já deve ter providenciado a gigante da soja, em nome do bom senso e do respeito pela legislação ambiental deste país.
3. A utilização da lenha como matriz energética implicará no esgotamento das fontes naturais.
4. Somente se atribuindo ao desgaste político do Estado do Piauí com as partes envolvidas é que se compreende esta medida processual por ele intentada. 5. Opino pelo não deferimento da suspensão da tutela antecipada.


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17.Laudo do IPT não garante auto-suficiência de Lenha pela BUNGE

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, contratado pelo Bunge Alimentos para fazer um estudo sobre as possibilidades de matrizes energéticas, apresenta em seu relatório a conclusão de que não é possível estimar a partir de quando a unidade processadora da Bunge em Uruçuí alcançaria auto-suficiência.

O relatório feito pelo IPT apresenta a seguinte conclusão: “Não foi possível estimar a partir de quando a unidade produtiva de Uruçuí alcançaria a auto-suficiência quanto ao consumo de lenha de florestas próprias ou vinculadas, tendo como base a cópia dos documentos referentes ao Plano Integrado Florestal e a Reposição Florestal Vinculada da unidade esmagadora de Uruçuí, disponibilizados pelo IBAMA, não ficando claro o compromisso da Bunge e da Graúna para que a unidade esmagadora de Uruçuí se torne auto-suficiente com lenha de eucalipto. Embora mais cômodo e economicamente viável o consumo de lenha do cerrado, além de ir contra os propósitos de sustentabilidade, seria arriscado para a Bunge depender da lenha que estaria disponível das áreas que futuramente serão autorizadas para desmatamento pelo IBAMA para uso alternativo do solo, considerando a necessidade de aplicação de critérios mais rigorosos por parte dos órgãos ambientais competentes para a concessão de licenças e autorização de desmatamento.”


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18.Relatórios da FIGENER e da PETRO autorizam utilização de Petcoke

As empresas Figener S/A Engenheiros Associados e Petro Engenharia Industrial emitiram pareceres sobre a utilização do Petcoke em consulta feita pelo Ministério Público Federal. A FIGENER deu o seguinte parecer, através do Direto Engenheiro Fábio de Castro Vincent: “Tais sistemas de gases são usualmente baseados na adição ou injeção de compostos que apresentam natureza alcalina, como é o caso da cal virgem, cal hidratada ou do calcário na corrente de gases a ser tratada. As soluções tecnológicas para tais processos de dessulfurização de gases são já consagradas e permitem atender não só aos padrões nacionais de emissão, como a padrões mais rígidos impostos por normas de outros países. O Petcoke tem sido usado em muitos países como combustível bastando para tal a existência de equipamentos de tratamento de gases adequadamente selecionados e operados para que possa ser obtidas seguramente as emissões de óxido de enxofre dentro dos padrões ambientais estabelecidos”.

A Petro Energia Industrial deu o seguinte parecer: “A Petro disponibiliza as quantidades supra citadas para fornecimento imediato, na condição de Coque Verde de Petróleo ou in natura. O Custo do produto acima mencionado é de R$ 256,00 por tonelada, com ICMS, PIS e COFINS inclusos”.


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19.Lenha no pátio da BUNGE

O Oficial de Justiça Avaliador Elvis Batista Miranda juntamente com os servidores do IBAMA Carlos Antonio Moura Fé, Luis Furtado da Silva e a Promotora de Justiça Dra. Débora Geane Aguiar Aragão Gomes estiveram nas instalações da Bunge em Uruçui no dia 3 de maio para fazer uma medição da lenha em estoque e produziram a seguinte certidão:

“Certifico que, em cumprimento ao mandado de diligência civil, extraído dos autos do processo No. 2003.5451-0, dirigi-me, dia 03.05.2004 às 15 horas à sede da Bunge Alimentos e procedi a fiscalização e levantamento de todo o estoque de lenha existente no local. O volume total foi de 31.445,28 St de lenha estocada no pátio que deverá ser consumida”.

A Bunge gasta uma média de 570 St de lenha por dia. Como perguntar não ofende. A FUNAGUAS quer saber como a Bunge chegou até o final do mês de agosto e ainda diz ter lenha para um mês?

 


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20.Plante a vida, plante uma árvore


Teresina corre sério risco de deixar de ser Cidade Verde. A pressa da urbanidade comete danos ambientais graves. O desmatamento da parte urbana é preocupante. As iniciativas para promover reflorestamentos, recuperação e preservação de áreas verdes ainda são diminutas.

Parques, praças, avenidas, ruas, jardins e quintais precisam urgentemente ser arborizados e não transformados em cimentados a contribuir com o aumento do calor. O valor de uma árvore não é só decorativo, mas essencial à qualidade de vida, a melhoria do clima de Teresina.

Em nossa Capital temos altas incidências de câncer de pele por conta da situação climática, como também é alto o índice de desidratação, sobretudo em crianças, nos meses mais quentes. Plantar uma árvore é contribuir para diminuir índices alarmantes com relação à saúde.

Pensando em Teresina damos continuidade à campanha: PLANTE VIDA, PALNTE UMA ÁRVORE. Assim estamos distribuindo 10 mil mudas de plantas frutíferas. Essa nossa iniciativa é “gota d’água” para as reais necessidades da cidade. Desejamos você engajado (a) nesta construção de uma cidade saudável, a oferecer melhor ambiente à vida para ser referência em qualidade de vida.

Nós que amamos Teresina, que vivemos Teresina, queremos o melhor para a cidade e seus habitantes.