O Rio Parnaíba nasce na chapada das Mangabeiras com o nome de Águas Quentes, servindo de limites entre o Piauí e o Maranhão. As suas nascentes estão situadas na base da serra do Jalapão, em uma vasta região desabitada, de onde saem vários cursos d'água.
A vegetação é basicamente de cerrados ralos, com algumas matas galerias, que acompanham os inúmeros riachos. Estas matas, compostas por árvores de grandes portes e buritizais, geralmente são ladeadas por brejos pantanosos.
As duas localidades mais próximas da nascente são Curupá e Brejinho pelo lado do Maranhão. A inexistência de estradas e a distância criaram certa inacessibilidade à região. Esse isolamento juntamente com a pobreza e a ignorância dos moradores mais próximos das nascentes criaram um sistema de vida por demais rústico. Para se ter uma idéia, os moradores costumam fazer queimadas em determinados períodos do ano que não se justificam economicamente.

As constantes queimadas assumem proporções alarmantes. Em alguns lugares, a vegetação não chega mais a se firmar, configurando um quadro de área desertificada. As queimadas são feitas não apenas como limpeza de terrenos, mas para renovar as pastagens. As conseqüências são graves, tendo em vista os efeitos sobre os mananciais que alimentam basicamente o rio Parnaíba fora dos períodos das chuvas. O desmatamento causado pelo fogo favorece a erosão, e as nascentes vão sendo soterradas.

A agricultura é insignificante e a pecuária rudimentar. A atividade da caça é significativa e representa a forma de sobrevivência, enquanto a pesca não é praticada, pois os riachos descem em grande velocidade e não formam lagoas para este fim. As mulheres e crianças praticam o artesanato, comum a todas as famílias, através da utilização do algodão para confecção de tecidos grosseiros, principalmente para redes de dormir e cobertores. Os instrumentos para o trabalho, tais como o descaroçador de algodão, a roda de fiar, os fusos e os teares são rústicos e todos construídos de madeira.